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Resenha: Jogador Nº1

player2Ernest Cline
Editora Leya
464 Páginas
Ano 2012

Sinopse
Cinco estranhos e uma coisa em comum: a caça ao tesouro. Achar as pistas nesta guerra definirá o destino da humanidade. Em um futuro não muito distante, as pessoas abriram mão da vida real para viver em uma plataforma chamada Oasis. Neste mundo distópico, pistas são deixadas pelo criador do programa e quem achá-las herdará toda a sua fortuna. Como a maior parte da humanidade, o jovem Wade Watts escapa de sua miséria em Oasis. Mas ter achado a primeira pista para o tesouro deixou sua vida bastante complicada. De repente, parece que o mundo inteiro acompanha seus passos, e outros competidores se juntam à caçada. Só ele sabe onde encontrar as outras pistas: filmes, séries e músicas de uma época que o mundo era um bom lugar para viver. Para Wade, o que resta é vencer – pois esta é a única chance de sobrevivência.

 

Sem Spoilers, porque isso não é Espilotríssimo

 
 

Fazia muito tempo que eu não lia algo diferente dos meus thrillers psicológicos e os romances policiais, pois a maioria dos livros da moda não estavam chamando minha atenção,  tantos infantos juvenis com temáticas parecidas ou distopias e utopias por toda parte estavam me dando preguiça.  Então me apresentaram Jogador Nº1, devo dizer que a pessoa é um fã total desse livro desde sua chegada no Brasil e apenas falou que eu iria gostar. Gente, fazia muito tempo que eu não lia algo tão original, algo tão fluído e de enredo fechado. Eu devorei 500 páginas, se eu realmente for contar literalmente o tempo que li no ônibus, deve ter dado umas 12h. Lembro da galera falando que Stranger Things é o pai dos produtos que foram desenvolvidos a partir de referências, bom, nunca estiveram tão errados. Jogador Nº1 têm pelo menos uns 40 anos de referências e não só de filmes, mas de tudo que você possa imaginar do mundo gamer, dos quadrinhos, filmes e séries, até algumas coisas de música.

A trama se inicia quando James Halliday, o criador do OASIS, morre e deixa um vídeo falando sobre sua herança que está escondida dentro do jogo e para se chegar lá a pessoa precisa resolver puzzles e desafios, mas cinco anos se passaram e ninguém encontrou sequer uma pista, jogadores que caçam o prêmio são chamados de caça-ovos (vemos uma brincadeira com o termo easter egg), milhares de jogadores ficaram obcecados para achar o grande prêmio, clãs foram criados e milhares de fóruns dentro do OASIS. O OASIS é uma fuga para as pessoas do mundo real, onde o mundo está degradado com a crise energética e com o aumento da população pobre.

O livro é divido em 3 níveis, como em um jogo, essas divisões separam literalmente o começo, meio e fim da trama, quando você termina a leitura desses níveis, você já se prepara para seu desenrolar. A narrativa é muito fluída e sem complicações, tão fluída que fazer pausas é desnecessário.Por ter tido experiências como roteirista e um grande conhecedor da cultura pop, Cline fez com que a fluidez da narrativa trouxessem pro leitor algo totalmente visual, não tem como você não imaginar o que está lendo. Posso dizer que não é necessário ter conhecimento de todas as referências que são citadas no livro, o protagonista chega dar uma explicada rápida de praticamente tudo e algumas bem mais completas para mostrar o quão importante é ter todas as informações para conseguir avançar na caçada pelo prêmio final de James Halliday. 2044 é o ano que ocorre a história, você sabe que o mundo está em crise, o livro tem uma pequena crítica de como estamos caminhando para conflitos futuros e o poder que a internet e tecnologia vão ter sobre as pessoas apesar de tão benéfica e isso está bastante explícito nas entrelinhas do livro durante toda aventura e quebra-cabeças que o protagonista precisa resolver.

Os personagens são bastante característicos: o jogador bom e inteligente que não tem grana pra crescer, o amigo que é um jogador top, a garota que é uma jogadora famosa por compartilhar experiências, a dupla dinâmica e os inimigos. Para mim são tipos de jogadores que vemos o tempo todo quando você é ativo em algum jogo online. Nosso protagonista, Wade Watts ou Parzival, é um garoto órfão que está na caça ao Ovo de Halliday há 5 anos e é um estudioso sobre Halliday, ele vive nas pilhas de trailers na região pobre de sua cidade, ele é um garoto que é bem comum, tanto como se descreve como no seu jeito, é um cara de 17 anos que está se formando e sabe tudo sobre Halliday e tecnologia, por ser ele quem narra o livro você percebe como ele é um cara esforçado e de pensamento rápido. Aech é o melhor amigo de Parzival, companheiro e inimigo na caçada, mas também um personagem misterioso por não sabermos muitos detalhes até o desenrolar final da história. Art3mis é uma jogadora e blogueira famosa que faz postagens sobre a caçada, é uma personagem durona de poucas palavras e Parzival é apaixonado por ela. Daito e Shoto são a dupla de caçadores que tem uma relação difícil com o trio acima apesar de algumas vezes se aliarem, Daito é um personagem bastante desconfiado e nervoso, já Shoto mais confiante até meio infantil. IOI, é uma das maiores empresas do mundo em tecnologia e serviços naquela atualidade e eles querem ganhar o prêmio para controlarem o OASIS, Sorrento que é o líder dos funcionário caça-ovos da empresa, faz qualquer coisa para conseguir o que quer.

A finalização do livro pode ter sido muito rápida, achei que a solução veio fácil demais por tudo que os personagens passaram, mas não deixou de fazer sentido e esse foi o único ponto que me desagradou, bem no seu final, mas terminei esse livro com muita satisfação. Nunca me identifiquei tanto com personagens, só pelo fato de também ser uma jogadora de Multiplayers Online, senti como é a satisfação de como é ser um zero no jogo e subir de nível e ser um jogador pro, de descobrir novos locais para explorar e completar missões, conseguir itens raros e desbloquear conquistas.  Fiquei satisfeita com cada referência e easter egg que eu entendia durante a narrativa. Foi uma leitura muito divertida.

 
 

Nota 9/10

 
 

Carol

Designer, character designer, costume designer, ama comida, taurina, gamer, cinéfila, bookaholic, chata.

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17 comentários em “Resenha: Jogador Nº1

  1. Aaaai, fiquei curiosa pra conhecer esse livro mas sou uma negação no mundo dos games, será que eu ia entender mesmo assim? Sei lá, isso de usar referências sempre torna a história mais “real” pra mim, eu consigo acreditar que a coisa tá acontecendo porque a vida real é cheia disso, né? A gente sempre usa frases, trocadilhos e elementos das coisas que gostamos no cotidiano!
    ADOREI A CAPA dele! Toda simples, mas achei super bacana!

  2. Oi Carol, tudo bem?
    Achei a premissa do livro bem interessante. Sua resenha super animada, tbm deixa a gente com vontade de conferir. Eu não sei não desse lance de games. Será que eu iria curtir a leitura? Iria entender as deixas? Enfim, vou deixar aqui anotado e quando estiver precisando de uma leitura pra sair da zona de conforto, me jogo nessa. Bjus
    Lia Christo
    http://www.docesletras.com.br

  3. Oie, tudo bom?
    Ufa, que sinopse interessante desse livro. Lembro que tinha muito interesse nele, mas nunca tive a oportunidade ler.
    KKJj não acho que Stranger Things tenha sido tudo isso no lance das referências fdnsjafds. 500 páginas? Vixi, esse é um livro que eu lerei só comprando mesmo fdjsnfa,
    Que doideira cara, eu realmente preciso ler esse livro, é muita referência e adorei essa de easter egg fdnjfndas.
    Lendo a sua resenha eu fiquei com muita vontade de comprar o livro e ler logo!

  4. Oie Carol =)

    Li esse livro faz bastante tempo já. Acho que foi final de 2012 ou 2013 (não lembro XD), mas gostei bastante da história. Na verdade acho que no que diz respeito a distopia Jogador 1º é um dos livros mais originais do estilo.
    Lendo sua resenha fiquei até com vontade de reler o livro.

    Beijos;***

    Ane Reis.
    mydearlibrary | Livros, divagações e outras histórias…
    @mydearlibrary

  5. OI CAROOOOOL

    lendo aqui a resenha, tudo me soou meio jogos vorazes misturado com o show de truman, será que tô viajando? HAHAHAHH o que faz parecer bem interessante! As duas obras trazem críticas sociais muito legais.

    Sobre o final que te decepcionou… me incomoda também quando sinto isso em alguma leitura. Parece que um problemão de 1000 páginas são resolvidas em apenas 10 e você fica: Oi? todo esse barulho pra isso? D:

    mas leria sim se tivesse oportunidade!

    beijo
    beinghellz.com

  6. Que diferente! As distopias acabam ficando bem repetitivas mesmo, mas essa achei muito criativa e fiquei bem curiosa. Ótima resenha ^^ Pena que o final não foi isso tudo né?!

  7. Oi Carol, tudo bem?
    Desde que li a primeira resenha desse livro, fiquei com muita vontade de lê-lo, pois gosto desse mundo gamer, e a premissa do livro é simplesmente única. Ainda não tive a oportunidade mas ele está na lista de aquisições com toda certeza.
    abraços,
    Amanda

  8. Que história mais doida e interessante. Como que eu nunca ouvi falar desse livro? Tenho certeza que, se fizer o sucesso que estou achando que vai fazer, logo anunciarão a adaptação para o cinema.
    Fiquei com medo quando você comentou das 40 referências, mas fiquei aliviada em saber que é explicado direitinho. 500 páginas me pareceu bastante, mas se é bem como você disse, de conseguir imaginar perfeitamente, é preciso de detalhes e isso justifica o número de páginas.
    De qualquer forma, já vou procurar pra ler. Parece ser muito bom mesmo, mesmo com o final rápido/fácil.

    Beijos,
    Bi.

    http://www.naogostodeunicornios.com

  9. Olá, Carol! Tudo bem?
    Me parece que o leitor é inserido fácil na história, né? Enquanto você lê está participando do jogo.
    Realmente estou precisando de novidades nas leituras porque está tudo na mesma. Gostei das suas considerações sobre o livro, não conhecia, mas fiquei curioso.
    Um ótima dica!

    Bjão.
    Diego, Blog Vida & Letras
    http://www.blogvidaeletras.blogspot.com

    PS: mais uma resenha show!

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