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Resenha: Bioshock – Rapture

Sem spoilers, porque isso não é Espilotríssimo.

Não importa se você conhece, ou já jogou, ou não jogou Bioshock (resenha)… não importa,  pois esse livro é o que temos de uma obra muito bem estruturada e de leitura muito rica em detalhes. Peguei esse livro achando que ia ser só a história do jogo, mas foi então que me enganei e foi um ótimo engano. No jogo de Bioshock descobrimos o que aconteceu em Rapture ligando os pontos das diversas gravações que escutamos durante nossa caminhada pela cidade submersa, e no livro temos praticamente tudo o que aconteceu antes de Rapture, durante Rapture e o fim que é o início do jogo para quem já jogou. Bioshock – Rapture é um ar de frescor no meio de tantas novelizações de jogos nas estantes das livrarias. Esse livro é revela e tira dúvidas dos jogos Bioshock 1 e 2, que irá agradará qualquer curioso que sempre gosta de ir mais a fundo.

Começamos o livro com o cenário global não muito bom, ameaças de uma guerra atômica não é algo muito agradável de se ouvir. Tensão entre duas superpotências, a economia está fragilizada e o Estado quer prender os empresários. Andrew Ryan não gosta de nada disso e cria uma saída: Rapture. Um investimento mais que gigantesco, que criará o local em que todos terão direito em conseguir conquistar algo com seu suor. Sem limitações científicas, sem religião, economia autônoma e sem governantes. Uma verdadeira utopia, que convenhamos, só de ouvirmos isso… não cheira bem, não é mesmo? O discurso de Andrew Ryan, que trabalho duro conquista tudo, é ingênuo para um homem tão bem sucedido. Um tipo de sistema assim não funcionará com todos e sempre haverá exploradores e sofredores no meio de tudo isso, já que: eles podem ter saído de um país capitalista, mas o capitalismo continua neles. Outro aspecto importante desse sistema é que mostra que ciência sem controle é algo extremamente perigoso, tendo diversas consequências.

Rapture é a protagonista do livro, mas quem faz ser o que ela é e depois o que virou, são os diversos personagens que constroem a trama. Artistas incompreendidos, empresários cansados do Estado, cientistas barrados pela ética e religião, estudiosos e aqueles que querem tentar a vida. Mas temos os personagens mais importantes que é Bill McDonagh e Frank Gorland, homens completamente distintos em personalidade, em suas convicções e com visões diferentes de Rapture. Andrew Ryan pode ser dono do local, mas depois perde destaque na trama, logo Dra. Tenenbaum começa chamar mais atenção por ser uma cientista sem moral. Personagens vão entrando o tempo todo no início do livro e logo alguns vão tendo fim a sua utilidade  e outros continuam para um futuro no jogo. Mesmo com seu início grandioso e iluminado, Rapture começa definhar devido a ingenuidade desse sistema livre de Ryan e favelas começam a surgir, inquietações sociais, contrabandos da superfície, os moradores precisam de algo para acreditar começando a aparecer manifestos e bíblias pelo local. Uma narrativa de 14 anos de Rapture que o livro nos conta e nesses pulos temporais percebemos que nenhum lugar está livre das consequências das escolhas humanas.

John Shirley, é um escritor premiado, já escreveu diversos livros,  séries de TV, além de ter sido corroterista. Confesso que nem sabia quem era ele, apenas queria ler sobre Bioshock e bom, ele é muito habilidoso com palavras, constrói uma narrativa coesa e que nos prende, mesmo com as diversas mudanças de cenários e os pulos temporais. Ele soube dar um panorama geral de todos os personagens, dando mesmo assim a impressão que Rapture é a protagonista.

Apesar de ter mostrado muitas coisas, temos pontos em abertos: personagens que sumiram, mesmo a gente deduzindo o motivo, além do buraco entre o fim do livro e o início do jogo, sendo que cronologicamente faz muito sentido, mas o objetivo é que o leitor tenha curiosidade de saber o final de tudo isso nos levando ao jogo. No geral, o livro é riquíssimo em conteúdo, uma trama muito interessante, além das discussões morais, sociológicas, político-econômicas, perante tudo que ocorre na cidade.  Recomendo muito! E se você ler, vai querer jogar Bioshock!

 

Nota 9.5/10

 


capabioBioshock Rapture
John Shirley

Novo Século
408 páginas
Ano 2013


Outra resenha atrasada, mas agora estou em dia! uhuuuuuuuuuuuul


 

Carol

Designer, character designer, costume designer, ama comida, taurina, gamer, cinéfila, bookaholic, chata.

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26 comentários em “Resenha: Bioshock – Rapture

  1. Gosto muito de histórias assim, tive a mesma sensação quando li metro 2033, já leu???
    Achei que iria encontrar apenas a história do jogo, mas que nada.. encontrei um conflito político e religioso que fez com eu me questionasse sobre minhas próprias crenças..

    Quero ler esse livro, apesar de nunca ter jogado.. Muito boa sua resenha
    Beijos

  2. Eu nunca joguei o jogo e escutei falar bem pouquinho sobre, na verdade, mas fiquei ULTRA curiosa com o livro, parece ser muuuuuito legal e bem estruturado, deu vontade master de ler e super medo de querer jogar e ficar viciada depois disso, hahahaha!!!

  3. Acho que tá na hora de resolver isso entao já que eu tenho o bioshock parado aqui em casa *não me julgue* hahaha eu joguei o começo e gostei, mas eu e armas não nos damos bem então acabei deixando de lado, mas adoreei sua resenha, vou até contar pro meu irmão, ele entrou nessa onda de ler livros só de jogos e agora tá todo viciado num livro que gerou the witcher, ja ouviu falar? é o ultimo desejo o nome do livro, acho

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com.br/2015/08/tag-frases-de-mae.html
    Tem tag nova no blog, vem conferir!

  4. Oii O jogo não conheço, em relação ao livro, deve ser uma história muito boa, e como disse saíram do capitalismo, mas mesmo assim as pessoas não conseguem andar com suas pernas de forma adequada para que tudo fique em harmonia…
    Beijos.
    Blog GuriasGata

  5. Oie Carol =)

    Não conhecia o livro e nem o jogo, mas pela sua resenha a premissa do livro me pareceu bem interessante.
    Vou procurar mais informações sobre o jogo, pois fiquei bem curiosa depois de ler a sua resenha ^^

    Beijos;***

    Ane Reis.
    mydearlibrary | Livros, divagações e outras histórias…
    @mydearlibrary

  6. Eae Carol
    Sabe que eu tenho muito pé atras com essas adaptações de games, eu li a de GOW e quase passei mal (ia fazer trocadilho mas deixa queto) de lá para cá meio que perdi as esperanças sobre essas adaptações. Sabe o que eu acho que vai ficar muito top? As adaptações de games que Avi Arad vai produzir, bom beleza que ele deu uma escorregada nos dois últimos homem aranha, mas como ele mandou bem com os primeiros filmes do aranha eu acho que ele pode mandar bem nessas adaptações e depois estragar as futuras.
    Sobre o livro, se você está dando 9,5 na certa a leitura deve ser boa.
    bjo LP
    http://www.interruptedreamer.com/

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