neuromancer

Eu li • Neuromancer

01_neuromancerWilliam Gibson
Editora Aleph
416  Páginas
Ano 2014
Edição Especial de 30 anos.

Sinopse
A história é ambientada em um futuro em que os humanos se interconectam pela matrix: uma alucinação coletiva virtual, por onde todos se conectam para saber tudo sobre tudo. Case, um cowboy (atualmente ele seria um hacker), porém, não pode mais acessá-la. Ele foi banido e, hoje, sobrevive como pode, se drogando nos subúrbios de uma Tóquio futurista e ao mesmo tempo decadente. E continuaria a se destruir se não encontrasse Molly, uma samurai das ruas que o convoca para uma missão da qual depende toda a existência da rede. O romance de estreia de Gibson é o primeiro volume da chamada Trilogia do Sprawl, que ainda inclui os livros Count Zero e Mona Lisa Overdrive.

 

Sem Spoilers, porque isso não é Espilotríssimo

Uma leitura que você derrama cada palavra dentro de sua mente e mesmo assim sente-se completamente perdido, como se faltassem peças de um grande quebra-cabeça. William Gibson, mesmo sendo esse seu primeiro romance, introduziu o gênero cyberpunk na literatura sci-fi de forma primorosa e para os fãs da temática que estava em alta na época devido muitas animações e mangás (como Ghost in the Shell e Akira) do gênero fazendo muito sucesso e alguns filmes começando a entrar nesse mundo. Neuromancer foi uma bela apresentação do mundo cyberpunk nas páginas impressas e claramente inspiração para obras do cinema, como Matrix e isso é bem perceptível.

O livro é dividido em quatro partes, suas narrativa é confusa devido a quantidade de informações e palavras “novas” que são o tempo todo usadas durante a leitura. Os capítulos não são longos, possuem um tamanho bom e acontecem muitas coisas durante apenas um capítulo e nos dando mais peças para encaixar na história. A narrativa se inicia de forma como se o protagonista fosse um velho amigo, a narração em terceira pessoa vai nos mostrando a cidade e o que ele está fazendo, contando um pouco do que ocorreu com ele e fala de algumas pessoas a sua volta. O autor descreve bastante sobre a qualidade de vida daquela época (que é um ponto muito importante do gênero) e sobre o avanço tecnológico em todas as áreas, apesar do protagonista ser um cowboy da Matrix, ela é um dos mistérios do livro e quando estamos nela sua descrição é subjetiva e bastante imaginativa para nós.

A trama é sobre Case ser contratado para um trabalho por uma samurai/mercenária que o encontra nas ruas de Sprawl e o convoca para conhecer seu chefe misterioso que como pagamento e também como contratação o recompensa com diversos materiais para trabalhar e cirurgias que são mais uma forma de ameaça para Case. Com diversos mistérios sobre cada personagem e o qual é o realmente o trabalho para qual foi contratado, junto de Case vamos mergulhando em uma “aventura” cibernética como também física sobre os mistérios de grandes empresas e famílias que possuem muitas informações dentro da Matrix, além de personagens que vão aparecendo durante a trama apenas para nos confundir mais.

Os personagens não possuem um aprofundamento muito grande, mas o suficiente para entendê-los de forma coesa durante toda a narrativa, sabemos sobre seus medos, passado e quem são agora. Case é o protagonista que perdeu tudo e vive se drogando nas ruas de Tóquio, mas é um cara extremamente talentoso no que fazia. Molly é uma mulher cheia de cirurgias com modificações no corpo que faz dela a assassina letal que é. Os outros personagens são peças para a narrativa, não possuindo tantas informações sobre os mesmos, apesar de importantes e isso não é ruim, apenas deixa natural toda a urgência que o trabalho de Case e Molly possui.

Uma leitura que eu tinha começado quando estava internada, mas tive que voltar tudo e finalmente depois de leituras intensivas nas minhas viagens pelo trânsito de São Paulo, finalizei Neuromancer com extrema satisfação e com aquele sentimento que deveria ter mais, porém estou feliz com o que tem (apesar de ter mais dois volumes) Neuromancer fecha sua história de forma consistente e que nos dá todas as conclusões necessárias. O leitor tenta entender cada palavra e situação que está sendo contada durante a leitura, tenta encaixar uma coisa na outra e entender todos os diálogos com palavras e nomes estranhos, mas nos últimos capítulos, mesmo com todo nosso esforço, a história se resolve de forma tão natural que parecia óbvio todas as conclusões e tudo muito bem amarrado, detalhes de diálogos ou pensamentos dos personagens fazem com que o livro precise de uma leitura atenta. Por ser muito fã do gênero, consegui visualizar cada parte do livro de forma muito clara e a cada capítulo mais animada ficava com a leitura. Matrix, hackers, conspirações, inteligência artificial, algumas questões filosóficas e temos uma obra de ficção cientifica cyberpunk de uma qualidade incrível.

aA edição de comemoração de 30 anos é qual possuo e posso dizer que é uma bela edição. O livro é guardado dentro de um box que possuí a imagem da capa que está ao lado, o livro não possui capa, sendo somente seu miolo com a brochura costurada para fora. Sua diagramação é bem limpa e com detalhes em rosa que trazem a ideia de linhas de código de programação, a divisão dos capítulos e partes é feita com fotografias em rosa escuro que aparentam ser ou dão ideia de neurônios, são todas formas bem orgânicas. A edição é muito bonita e bem feita, além de conter mais três contos do autor que seguem no mesmo estilo e uma entrevista com ele em 1986 que é bastante longa e cheia de informações.

 

Nota 9/10

 

Carol

Designer, character designer, costume designer, ama comida, taurina, gamer, cinéfila, bookaholic, chata.

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28 comentários em “Eu li • Neuromancer

    1. Sou muito fã do gênero e de Ghost in the Shell que eu espero que não vire franquia, só se estragarem a história em um nível deplorável daquele nível Hollywood, pois histórias com temática Cyberpunk costumam ser bem filosóficas e difíceis.

  1. Oi Carol, tudo bem?
    Eu confesso que tenho dificuldades com livros de ficção cientifica. Nunca fui muito fã, sendo que poucos realmente me encantaram, mas a cada nova resenha sua fico com uma curiosidade de dar uma nova chance a esse gênero.
    bjus,
    Amanda Almeida

  2. Olá, Carol.
    A edição comemorativa deve estar maravilhosa. Infelizmente esse livro não é para mim. Eu não sou muito fã do gênero e acho que vou achar tudo muito confuso. Matrix eu não entendi até hoje hehe. Acho que não leria ele.

    Prefácio

  3. Oi, Carol!
    Acho que nunca li nada cyberpunk. Já vi filmes, mas leitura não.
    Gostei da premissa, mesmo que por vezes confusa de Neuromancer.
    E achei muito legal Matrix ter claramente se inspirado nele.
    Pelo jeito não é uma leitura fácil e tranquila, mas de vez em quando é bom pegar uns livros assim um pouco mais pesados e complexos, né?
    E achei a capa – mesmo você dizendo que não é capa – bonita, principalmente a do final do post.

    Beijooos

    http://www.casosacasoselivros.com
    http://www.livrosdateca.com

  4. Gosto muito desse estilo de ficção, e por gostar tanto de Steampunk gostaria de conhecer mais sobre o Cyberpunk também. Não sabia que tinha continuação, fiquei ainda mais curiosa pelos personagens, principalmente pelo Case!

  5. Olaa! Tudo bem?
    Nunca li nada desse género, mas super me interesso! E essa história realmente me parece ser muito boa! Quero ler!
    Mas um detalhe que me chamou atenção: quando eu li você falando de matriz, imaginei que o livro tivesse tirado do filme.. mas aparentemente foi contrário que você disse que aconteceu né? Não sabia!!
    Beeijo

    http://lecaferouge.blogspot.com.br/

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