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Eu assisti • A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell

Acredito que nessa resenha é muito interessante dar uma introdução ao original Ghost in the Shell ou Fantasma do Futuro, quando foi lançado em português seu primeiro longa-animado em 1995, mas anteriormente temos o mangá de 1989 (resenha aqui). Um resumo bem curto: temos o mangá que são em 3 volumes; temos os dois longa-animados que é o de 1995 e de 2004, logo depois saiu um novo longa sem qualquer ligação com os anteriores e por fim uma nova série de filmes de 2013 em diante que são mais 4 longa-animados, junto do anime de 2014 que são duas temporadas. Já para perceberem que temos muito plots e todos eles priorizando debates psicológicos e filosóficos, mesmo sendo várias versões de design da Major nessa nova geração de GitS. Então quem é fã da franquia, não deve ter expectativas de uma adaptação extremamente fiel, mas pensar como a Major na animação de 1995: “a rede é vasta e infinita”.

 

Sem spoilers, pois isso não é Espilotríssimo.

 

ghost4O que faz Ghost in the Shell ser algo tão aclamado e cheio de fãs, é que na cultura japonesa temos sempre um trama profunda e repleta de significados, e no caso de quem estamos falando vai além disso, o original é cheio de discussões filosóficas, psicológicas com muita reflexão depois de ter assistido ou lido. O maior medo de uma adaptação de um mangá/anime é que Hollywood sempre escolhe deixar tudo fácil e rápido para o entediamento de um maior público, já que filmes que usam uma temática muito difícil em seu todo não costumam chamar atenção, porém, A Vigilante do Amanhã, apesar de ser uma grande salada de frutas do longa e do anime, consegue mesmo com uma complexidade filosófica super podada, passa algo até que profundo para o público, mesmo perdendo toda suas discussões filosóficas que são a marca da franquia.

Parece que finalmente, pela primeira vez, temos uma adaptação de mangá, ou algo da cultura pop japonesa, que não vira uma piada, mas que acerta de em seu conteúdo, porém, acho importante frisar que a adaptação de Ghost in the Shell pro cinema precisa ser recebida com uma mente aberta já que você sabe que está assistindo uma adaptação de Hollywood e se você for fã, não se apegue ou crie expectativas, pois é um plot “novo” devido a misturas que dão certo e que fazem o filme ter um roteiro fechado, sem buracos, mesmo com algumas explicações desinteressantes por ser algo de Ghost in the Shell. O que mostra que eles tiveram medo de ousar na trama.

ghost6A premissa do filme é sobre a busca da protagonista Major Mira Killian que quer se sentir conectada a algo, quer sentir sua humanidade apesar de possuir seu cérebro humano, ou alma, em um modelo cibernético, ou seja, ela é um ciborgue. A partir dessas dúvidas de querer saber quem ela era ou quem ela é, temos o início da trama que o filme apresenta para nós (e que entrega no trailer também), junto do antagonista que está por trás das mortes de pessoas importantes e muito interessado na Major. O maior erro do filme foi ter dado aquele toque de simplicidade, se o filme não tivesse perdido sua complexidade filosófica poderia ter dado o toque certeiro para para melhores diálogos e ajudar a rebuscar a trama.

O plot do filme não foi algo horrível, pelo contrário, mesmo misturando algumas coisas eles conseguiram fazer um roteiro sem buracos, é uma história com começo, meio e fim. Grande maioria das cenas, são iguais ao longa de 1995, as de ação estão lindas pelo quão fieis são, e a trama se baseia no anime Stand Alone Complex de forma certeira. O antagonista parece que se mistura com o do longa de 1995, devido a pequenos pontos que acontecem com o antagonista do filme, mas é Hideo Kuze do anime e muito bem adaptado, diferente do que fizeram com a Major, a desculpa que usaram para ela não ser japonesa por ser um ciborgue, mesmo com seu passado estando correto.

O elenco, apesar da única polêmica ser Scarlett, todos eles foram extremamente bem caracterizados, até mesmo ela. Senti como se tivesse vendo os personagens ganhando vida de forma plena, a forma que agiam e até mesmo olhavam. Não há atuações a serem destacadas, todos os artistas funcionam muito bem juntos e parecem estar realmente ambientados naquele local. Mesmo com a polêmica da Scarlett, deve-se dar o braço a torcer que ela foi bem no papel por ser o tipo de atriz para o mesmo.

ghost5A direção arte e production design desse filme é de dar inveja a qualquer um do gênero. Conseguiram adaptar perfeitamente e ainda deixando um pouco mais ousado de forma extremamente competente, com certeza, visualmente esse filme vai demorar muito tempo para ser esquecido. O figurino é outra adaptação feita com muita competência e ainda evoluindo o que não fora imaginado anteriormente, como a roupa nude dela, e que figurino caros, muito bem feito em todos os personagens e principalmente na equipe que Major lidera, reparem que todas as roupas que a Major usa são referências dos longas e do anime. Gostaria de possuir qualquer tipo de material sobre a direção de arte do filme de tão bem feita que ele é. A única coisa que pecaram é a trilha sonora do filme, a trilha do longa é muito marcante e não fora usada, apenas a música principal de leve, no restante do filme as músicas são um tanto esquecíveis e pouco usadas.

O sentimento que esse filme dá é: uma adaptação boa apesar de não se aprofundar filosoficamente (único erro), porém, um filme bom e com adaptação das cenas do anime e do longa de dar inveja. A adaptação consegue se mostrar um filme Hollywoodiano, sem qualquer complexidade acima da média, um começo de filme que já dá aquela mastigada do assunto dando aquele breve resumo para ambientar o telespectador, quiseram fugir do foco que é sua complexidade para não se tornar um “The Matrix” (sendo que o mangá foi inspiração clara para a trilogia), mas no fim temos um filme cyberpunk que mesmo com um plot podado, tenta resgatar um pouco das discussões de Ghost in the Shell com sua moral da história: a humanidade é algo único.

 

 

ghost3Nota 8/10

Ghost in the Shell
Lançamento: 30 de março de 2017
Duração: 1h 47min
Direção: Rupert Sanders
Elenco: Scarlett Johansson, Pilou Asbæk, Takeshi Kitano, Juliette Binoche, Michael Pitt, Chin Han, Peter Ferdinando, Rila Fukushima
Sinopse: Em um mundo pós-2029, é bastante comum o aperfeiçoamento do corpo humano a partir de inserções tecnológicas. O ápice desta evolução é a Major Mira Killian, que teve seu cérebro transplantado para um corpo inteiramente construído pela Hanka Corporation. Considerada o futuro da empresa, Major logo é inserida no Section 9, um departamento da polícia local. Lá ela passa a combater o crime, sob o comando de Aramaki  e tendo Batou como parceiro. Só que, em meio à investigação sobre o assassinato de executivos da Hanka, ela começa a perceber certas falhas em sua programação que a fazem ter vislumbres do passado quando era inteiramente humana.

PS: acho que, pessoalmente, esse filme tá sendo muito massacrado, sendo que seu único e verdadeiro erro foi ter aceito ter sua trama simplificada para o cinema. E olha quem vós fala é uma viciada na série.

Carol

Designer, character designer, costume designer, ama comida, taurina, gamer, cinéfila, bookaholic, chata.

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30 comentários em “Eu assisti • A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell

    1. Até eu to feliz Luiza, não sei porque o povo tá massacrando tanto. É totalmente compreensivel a perda de complexidade por causa de fatores: Hollywood, público e comparação com Matrix (que na real é ao contrário)

  1. Oi Carol,
    Gosto muito de ler suas análises de filmes, principalmente de adaptações de animes.
    Esse filme chamou a minha atenção, mas não tanto quanto a de um fã. Li toda a confusão que a escalação da Scarlet causou, mas confesso que ainda assim fiquei boiando um pouco. Sua resenha aumentou a minha curiosidade com relação ao filme, mas vou deixar para assisti-lo apenas depois de ler o mangá e assistir as adaptações, pra poder fazer um julgamento mais apropriado quando ao live action.
    Estava pensando aqui, eles poderiam fazer uma sequência de três filmes, ao invés de comprimir tudo em um filme só.
    Abraços,
    Amanda Almeida

  2. Oi, Carol!! Tudo bem?

    Primeira visitinha no seu cantinho e já adorei *.* Não assisti ao filme, mas vi anunciando em alguns sites o lançamento. Aqui é o primeiro lugar que leio sobre ele. Acho que me convenceu hein hahah Uma pena o filme não ter sido isso tudo, mas dá pra curtir né? rsrs Beijos,

    http://www.estranhoscomoeu.com

  3. Desculpe a ignorância, mas a polemica envolvendo a Scarlett é por ela não ser oriental?

    Sobre o filme, não tinha ideia que se tratava disso, tava viajando achando que era de ‘super herói” ahaha. Fiquei com muita vontade de assistir e de conhecer a série!

  4. Olá, Carol.
    Eu não conheço nenhuma das versões, nem o anime. Mas também não me interessei muito em assistir. É bem fora do que eu gosto hehe. Mas gostei bastante de ler a sua opinião sobre ele.

    Prefácio

  5. Oláá! Tudo bem?
    eu não conheço a história original, mas meu namorado adora e está louco para ver. confesso que, quando vi o trailer, achei estranho e muito do mesmo que vemos por aí… mas lendo sua resenha sobre essa questão de psicologia e humanidade, chamou a minha atenção de forma positiva e fiquei realmente querendo ver. meu único receio é de continuar achando confuso, mas como falou que eles podaram bem a história, deve ser tranquilo para quem não conhece nada né? fiquei também curiosa para saber dessa polêmica que falou (sou fofoqueira mesmo haha)
    beeijo

    http://lecaferouge.blogspot.com.br/

    1. É bem tranquilo de entender, Tamara. Mas mesmo assim vi gente que não deu aquelas esforçadinha para pensar na moral do filme. A polêmica é que a galera queria uma oriental como Major (adoraria também), já que ela nasce no japão (ok), mas convenhamos, o filme têm produtores japoneses, eles teriam exigido isso, mas o objetivo deles é tentar disseminar suas criações e com um nome grande é muito mais fácil

  6. Oiii!!

    Que resenha incrível, você é uma ótima escritora.
    Quero muito ver esse filme, mas tenho mais vontade de ver Fragmentado, vi sua resenha também e só aumentou minha curiosidade com relação a esse filme.

    Um super beijo

  7. Hollywood: mastigando roteiros desde sempre! :/

    Quero assistir Carol, apesar do massacre que tá rolando (especialmente com a Scarlett). Pelo trailer já dá para ver que a direção de arte foi mesmo impecável!

  8. Oie Carol =)

    Confesso que não conhecia o mangá e que apesar de ter assistido toda a trilogia Matrix nunca vi nada de muito “especial” nela, ou pode ser que eu não tenha entendi direito rs…

    Meu amigo está querendo assistir esse filme, mas apesar da premissa ser interessante ela não me chama a atenção o suficiente para que querer ir ao cinema ver em primeira mão.

    Beijos;***
    Ane Reis | Blog My Dear Library.

  9. Olá, Carol!
    Tudo bem?
    Estou bastante curioso para conferir A vigilante do amanhã, mas estou tentando não ir com muitas expectativas. Afinal, já me decepcionei muito com algumas adaptações. Eu não tinha ideia da quantidade de adaptações feitas sobre esse mesmo mangá, achei isso super interessante. Sobre ser uma adaptação para ir com a mente aberta, concordo e vou fazer isso. Enfim, gostei de seu review, quando eu assistir venho aqui te contar meu ponto de vista.

    Até mais.

  10. Oi Carol,
    Te falar que estava bem ansiosa para ler sua opinião sobre esse filme haha
    Lá no Letterboxd o povo ta metendo o pau mesmo e até agora não vi um motivo além da Scarlett não ser asiática. Tá, mas e o resto do filme gente? Deve ter algo bom por aquela produção de arte que vi no trailer, lindíssima. Sua review mostrou que eu não estava errada e que vale uma chance sim.

    tenha um ótimo final de semana.
    Fizemos algumas mudanças no Obsession Valley, e com isso mudamos o nome. Venha conhecer o Canto Cultzíneo!
    Nana – Canto Cultzíneo

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